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O Clube Náutico das Lajes do Pico
O Clube Náutico das Lajes do Pico, fundado em 1978, tinha então como finalidade o estimular o gosto pelos desportos náuticos e pela pesca desportiva. A sua primeira sede localizava-se num pequeno edifício junto às Casas dos Botes Baleeiros da Lagoa. E a simbologia do lugar da sua sede não podia ser maior, pois para além de ocupar aquele lugar mítico do período áureo da caça à baleia do sul do Pico, o Clube Náutico foi posteriormente, após a proibição da baleação, em 1986, o depositário de grande parte do espólio náutico dos velhos baleeiros e das respectivas armações baleeiras das Lajes do Pico, nomeadamente os botes e a respectiva lancha motora de reboque - a "Cigana".
Inicialmente, junto dos mais jovens, dedicou-se à aprendizagem da vela ligeira nas classes Vouga e Lusitos. Só mais tarde se iniciou nas classes Optimist e Vaurien.
A vela, a pesca desportiva, e mais tarde a canoagem e o mergulho, constituíram as actividades a que o Clube se dedicou desde a sua fundação.
E foi destas actividades, sobretudo da vela, que saíram muitos dos elementos que hoje constituem as tripulações dos botes baleeiros que anualmente se entregam às regatas, um pouco por todos os Açores. Estas regatas, que compreendem em cada prova a modalidade de vela e remo em botes baleeiros, são já um cartaz turístico que atrai cada vez mais espectadores, locais e turistas, aos portos das freguesias onde se realizam (Pico, Faial, Terceira, Graciosa, S. Jorge e Flores).
Presentemente o Clube Náutico das Lajes do Pico dispõe de duas lanchas motoras e cinco botes recuperados, e é com estas embarcações que se tem feito representar nas regatas dos campeonatos regional e de ilha, tendo obtido, nos últimos anos, classificações de grande mérito.
As Casas dos Botes da Lagoa - Lajes do Pico
Conjunto de armazéns, edificado nos finais do século XIX, constituído por três edifícios destinados, na altura da caça à baleia, à guarda de botes baleeiros e seus apetrechos. Eram então propriedade de três sociedades baleeiras: Armações Baleeiras Liberdade Lajense, Estrela Lajense e Venturosa Lajense.
Os edifícios são de dois pisos, construídos em alvenaria de pedra rebocada e caiada. No piso térreo encontram-se grandes portões para entrada e saída dos botes baleeiros, bem como a respectiva rampa de acesso ao mar.
As Casas dos Botes da Lagoa constituem um testemunho de grande valor patrimonial e documental para a história da baleação. Hoje, nestes edifícios, funciona a sede do Clube Náutico das Lajes do Pico.
  O bote baleeiro — um pouco de história
Concebido e criado a partir do modelo norte-americano, o bote baleeiro açoriano é hoje considerado uma das embarcações mais emblemáticas do mundo.
As dificuldades na importação de botes baleeiros estimularam a criação local de uma "nova" embarcação. Inspirados na herança norte-americana, os açorianos lançaram um novo modelo de bote baleeiro, mais comprido (aproximadamente com 11,5 metros de comprimento, 2 metros de largura e 80 centímetros de pontal a meia nau) e melhor adaptado às condições de navegabilidade dos nossos mares e ao modelo de baleação costeira que se praticou nas ilhas dos Açores.
O primeiro bote baleeiro açoriano foi construído nas Lajes do Pico pelo Mestre Francisco José Machado, o "Experiente", nos finais do século XIX. Gerações de outros grandes construtores navais se notabilizaram, na ilha do Pico, o grande centro da carpintaria naval do arquipélago, na construção de botes baleeiros. (Dr. Manuel Francisco Costa Jr.)
cnlajesdopico@cnlajesdopico.org Clube Náutico das Lajes do Pico - 9930-147 Lajes do Pico - Açores - Portugal